Projeto de lei para banir o foie gras está a um passo de entrar em vigor; falta apenas a sanção de Lula

(F: Divulgação) O avanço do Projeto de Lei 90/2020 no Congresso Nacional reacendeu o debate sobre a produção e comercialização de foie gras no Brasil. A proposta, que proíbe produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados e segue agora para sanção presidencial. O texto prevê a proibição da produção, venda e comercialização de produtos derivados da alimentação forçada, prática utilizada para hipertrofia do fígado de patos e gansos na fabricação do foie gras. O projeto também estabelece penalidades com base na Lei de Crimes Ambientais. A tramitação do PL 90/2020 contou com mobilização de organizações de proteção animal em diferentes etapas do debate legislativo. Entre elas, a Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal atuou em ações de conscientização pública, articulação institucional e apoio à aprovação da proposta no Congresso. A entidade já havia se posicionado publicamente...

Coordenador de Médicos Sem Fronteiras fala em situação catastrófica de civis em Gaza

Leia a seguir depoimento de Léo Cans, coordenador de Projeto de MSF na Palestina

A situação em Gaza é catastrófica. Os hospitais estão sobrecarregados. O número de feridos é extremamente alto - há um fluxo constante em todos os hospitais da Faixa de Gaza. As equipes médicas estão exaustas, trabalhando sem parar para tratar os feridos.

Gaza sob bombardeio (Reprodução/YouTube)
Os bombardeios são muito intensos. Prédios inteiros estão sendo destruídos, incluindo um, na noite passada, bem próximo ao escritório de Médicos Sem Fronteiras (MSF). Às vezes, as pessoas recebem uma mensagem de texto no meio da noite dizendo para evacuarem suas casas, como aconteceu com alguns dos membros da nossa equipe em Gaza. Você tem de acordar seus filhos no meio da noite e sair de casa, sem levar nenhum de seus pertences, para chegar a um lugar seguro. Mas, muitas vezes, as pessoas não sabem para onde ir. Elas se encontram do lado de fora, no meio da noite, sob uma chuva de bombas. Onde elas podem encontrar segurança?

As estimativas mais recentes são de que haja cerca de 200 mil pessoas deslocadas, principalmente pessoas que receberam essas mensagens e cujas casas foram destruídas. Elas precisam de tudo: água, um lugar para tomar banho, comida, um colchão para dormir... em resumo, são necessidades variadas, mas básicas.

Agora, o governo israelense decidiu cortar completamente o fornecimento de água e eletricidade, e a rede telefônica foi muito danificada. Nesta manhã (10/10), não conseguimos entrar em contato com nossas equipes em Gaza por telefone. Tudo isso torna extremamente difícil a coordenação das operações de resgate e o acesso aos feridos.

Hoje, em Gaza, as pessoas estão aterrorizadas. Falo regularmente com nossos colegas de lá. Eles são pessoas muito fortes porque, infelizmente, já passaram por muitas guerras, mas a situação atual está lhes causando extrema ansiedade. Eles dizem que desta vez é diferente: eles não veem uma saída e se perguntam como tudo isso vai acabar. Eles estão enfrentando um terrível sofrimento mental. Não há palavras para descrever o que as pessoas estão passando.

Quanto a MSF, estamos muito preocupados em ver que as instalações médicas não foram poupadas. Um dos hospitais que apoiamos foi atingido por um ataque aéreo e ficou danificado. Outro ataque aéreo destruiu uma ambulância que transportava os feridos, bem em frente ao hospital onde trabalhamos. A equipe de MSF, que estava operando um paciente, teve que deixar o hospital às pressas. Repetimos: as instalações médicas devem ser respeitadas. Isso não é algo que deva ser negociado.

Atualmente, MSF está doando medicamentos essenciais e equipamentos médicos para os principais hospitais da Faixa de Gaza. Também enviamos equipes cirúrgicas a dois hospitais para ajudar a tratar os feridos. Nos próximos dias, também haverá muitas cirurgias pós-operatórias a serem realizadas, já que a maioria dos feridos que recebemos precisará de várias intervenções cirúrgicas antes de serem salvos. Nesta segunda-feira (09/10), também montamos uma clínica no centro da cidade de Gaza para pessoas com outros ferimentos, que tentaremos manter aberta se as condições permitirem.

Na segunda de manhã, recebemos um menino de 13 anos cujo corpo estava quase completamente queimado depois que uma bomba caiu bem perto de sua casa, iniciando um incêndio. Esses são casos muito complicados de tratar nessas condições e, quando há crianças envolvidas, é muito difícil de suportar.

A intensidade da violência e dos bombardeios é chocante, assim como o número de mortos. A declaração de guerra não deve, em hipótese alguma, levar à punição coletiva da população de Gaza. Cortar o fornecimento de água, eletricidade e combustível é inaceitável, pois pune toda a população e a priva de suas necessidades básicas.

Léo Cans é coordenador de projeto de MSF na Palestina, atualmente baseado em Jerusalém.

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