Goiás registra mais de 9 mil mortes em 2025 por infarto, insuficiência cardíaca e AVC

Silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial segue como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país: infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Só em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 mil por AVC, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS). Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário preocupante. Total de 346.306 óbitos por infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Em Goiás, foram registrados 4.678 óbitos por infarto; 2.728 por AVC e 1.717 por insuficiência cardíaca, totalizando 9.123 mortes. Uma doença silenciosa e perigosa A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na ma...

Coordenador de Médicos Sem Fronteiras fala em situação catastrófica de civis em Gaza

Leia a seguir depoimento de Léo Cans, coordenador de Projeto de MSF na Palestina

A situação em Gaza é catastrófica. Os hospitais estão sobrecarregados. O número de feridos é extremamente alto - há um fluxo constante em todos os hospitais da Faixa de Gaza. As equipes médicas estão exaustas, trabalhando sem parar para tratar os feridos.

Gaza sob bombardeio (Reprodução/YouTube)
Os bombardeios são muito intensos. Prédios inteiros estão sendo destruídos, incluindo um, na noite passada, bem próximo ao escritório de Médicos Sem Fronteiras (MSF). Às vezes, as pessoas recebem uma mensagem de texto no meio da noite dizendo para evacuarem suas casas, como aconteceu com alguns dos membros da nossa equipe em Gaza. Você tem de acordar seus filhos no meio da noite e sair de casa, sem levar nenhum de seus pertences, para chegar a um lugar seguro. Mas, muitas vezes, as pessoas não sabem para onde ir. Elas se encontram do lado de fora, no meio da noite, sob uma chuva de bombas. Onde elas podem encontrar segurança?

As estimativas mais recentes são de que haja cerca de 200 mil pessoas deslocadas, principalmente pessoas que receberam essas mensagens e cujas casas foram destruídas. Elas precisam de tudo: água, um lugar para tomar banho, comida, um colchão para dormir... em resumo, são necessidades variadas, mas básicas.

Agora, o governo israelense decidiu cortar completamente o fornecimento de água e eletricidade, e a rede telefônica foi muito danificada. Nesta manhã (10/10), não conseguimos entrar em contato com nossas equipes em Gaza por telefone. Tudo isso torna extremamente difícil a coordenação das operações de resgate e o acesso aos feridos.

Hoje, em Gaza, as pessoas estão aterrorizadas. Falo regularmente com nossos colegas de lá. Eles são pessoas muito fortes porque, infelizmente, já passaram por muitas guerras, mas a situação atual está lhes causando extrema ansiedade. Eles dizem que desta vez é diferente: eles não veem uma saída e se perguntam como tudo isso vai acabar. Eles estão enfrentando um terrível sofrimento mental. Não há palavras para descrever o que as pessoas estão passando.

Quanto a MSF, estamos muito preocupados em ver que as instalações médicas não foram poupadas. Um dos hospitais que apoiamos foi atingido por um ataque aéreo e ficou danificado. Outro ataque aéreo destruiu uma ambulância que transportava os feridos, bem em frente ao hospital onde trabalhamos. A equipe de MSF, que estava operando um paciente, teve que deixar o hospital às pressas. Repetimos: as instalações médicas devem ser respeitadas. Isso não é algo que deva ser negociado.

Atualmente, MSF está doando medicamentos essenciais e equipamentos médicos para os principais hospitais da Faixa de Gaza. Também enviamos equipes cirúrgicas a dois hospitais para ajudar a tratar os feridos. Nos próximos dias, também haverá muitas cirurgias pós-operatórias a serem realizadas, já que a maioria dos feridos que recebemos precisará de várias intervenções cirúrgicas antes de serem salvos. Nesta segunda-feira (09/10), também montamos uma clínica no centro da cidade de Gaza para pessoas com outros ferimentos, que tentaremos manter aberta se as condições permitirem.

Na segunda de manhã, recebemos um menino de 13 anos cujo corpo estava quase completamente queimado depois que uma bomba caiu bem perto de sua casa, iniciando um incêndio. Esses são casos muito complicados de tratar nessas condições e, quando há crianças envolvidas, é muito difícil de suportar.

A intensidade da violência e dos bombardeios é chocante, assim como o número de mortos. A declaração de guerra não deve, em hipótese alguma, levar à punição coletiva da população de Gaza. Cortar o fornecimento de água, eletricidade e combustível é inaceitável, pois pune toda a população e a priva de suas necessidades básicas.

Léo Cans é coordenador de projeto de MSF na Palestina, atualmente baseado em Jerusalém.

Comentários