Goiás registra mais de 9 mil mortes em 2025 por infarto, insuficiência cardíaca e AVC

Silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial segue como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país: infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Só em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 mil por AVC, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS). Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário preocupante. Total de 346.306 óbitos por infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Em Goiás, foram registrados 4.678 óbitos por infarto; 2.728 por AVC e 1.717 por insuficiência cardíaca, totalizando 9.123 mortes. Uma doença silenciosa e perigosa A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na ma...

Um livro que busca vacinar o Brasil contra autoritarismo e negacionismo

Ricardo Viveiros (F: Roberto Setton)
Memórias de um tempo obscuro (Editora Contexto), novo livro do jornalista e escritor Ricardo Viveiros, reúne artigos publicados originalmente pelo autor, de 2018 a 2022, na Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo (Estadão) e depois em outros veículos da mídia impressa e digital de todo o Brasil e de países como Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Portugal, Áustria, Itália, Rússia, Paquistão e China. Os textos retratam e fazem firme análise do processo comportamental e eleitoral que levou Jair Bolsonaro à presidência da República e do período no qual seu governo negou a ciência, negligenciou a Covid-19, fez pouco caso da cultura e da educação, envolveu-se em escândalos, conspirou contra a democracia e provocou imensa e turbulenta polarização.

O conteúdo contribui para que o leitor entenda de modo mais amplo e didático o cenário no qual a população brasileira dividiu-se entre os “contra” e os “a favor”. Como observa Viveiros na introdução da obra, “tomaram força temas relevantes que, sob radical confronto e não salutar debate, permitiram surgir e aumentar uma Cultura do ódio, título de um dos artigos. A moderna tecnologia da comunicação tornou-se arma poderosa nesse embate, dando espaço às fake news, que comprometem a verdade”.

O autor avalia que o período entre 2018 e 2022 pode ser denominado bizarro. “Foi difícil esclarecer aos colegas da imprensa internacional o que significam expressões como mimimi, tchutchuca e, o mais constrangedor, imbrochável”. Tal desafio semântico mostrou-se ainda mais penoso se considerado o fato de que os estranhos termos foram pronunciados em um país que não pode ser engraçado no contexto de seus problemas, pondera Viveiros, enumerando: cerca de 700 mil mortos pela Covid-19, mais de 30 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, forte desemprego, violência urbana e rural, incluindo preconceitos e discriminações contra negros, mulheres, LGBTQIAP+, indígenas e outros grupos, bem como baixa cobertura e qualidade no ensino e incentivo à cultura, muitos ataques à natureza, elevada carga tributária e altos índices de corrupção.

Lembrando que acompanha de perto os últimos 50 anos do Brasil e os problemas culturais e educacionais que levam a sociedade a buscar sempre um salvador da Pátria, o jornalista e escritor enfatiza que “o País sobrevive na coragem e resiliência de um povo único, que mescla dor e alegria como algo natural – gente movida por inabalável fé e esperança”. Memórias de um tempo obscuro ressalta as peculiaridades nacionais, defende a democracia participativa, preconiza a liberdade e responsabilidade de expressão, condena o populismo e afirma que “a imprensa existe para governados, não para governantes”. Nesse sentido, “este livro resgata acontecimentos, alerta sobre perigos e busca contribuir para que alguns erros não aconteçam de novo”, frisa o autor.

O desabafo de Viveiros 

No prefácio do livro, o cientista social José de Souza Martins, mestre, doutor e livre-docente em Sociologia pela USP, vencedor por três vezes do prêmio Jabuti e que já ocupou a Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra), ressalta que Viveiros cumpre a função crítica própria desse tipo de literatura, que é a de estranhar. “Reúne uma extensa coleção de estranhamentos para que, por meio deles, nos estranhemos e, também, estranhemos esse cotidiano sufocante, cansativo, desanimador que nos esteriliza a consciência, a capacidade de perceber os absurdos disfarçados nas dobras da irresponsabilidade política e da alienação social”.

O texto, destaca Martins, flui como uma conversa casual, bem brasileira. É a fala de trem, de metrô, de ônibus. “Viveiros desabafa, expõe seu desconforto com o estapafúrdio, o ilógico, o descabido, o que não chega a lugar nenhum. Traduz em palavras certas e em sequência correta o desdizer que diz e revela episódios da nossa perdição, dos nossos silêncios. É seu empenho o de agarrar a realidade fugidia, cinzenta e triste. Sem convidar, puxa seu leitor para o pé-do-fogo do inconformismo necessário, para refletir com ele, para temer com ele, para despertar com ele”.

E conclui: “Coisa do inconformista que ele é, o inconformismo como missão e como chamamento. Esperança de quem sabe que cada dia e todos os dias começam com a luz da aurora para que o discernimento possa vencer a escuridão”.

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