“Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão”, diz Guilherme Boulos sobre a importância do fim da escala 6x1

(F: Diego Campos/Secom/PR) O fim da escala 6x1 foi amplamente defendido pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro” nesta terça-feira (30). Segundo ele, não existem justificativas para o tema não avançar. “Uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira está parada numa gaveta. O trabalhador brasileiro não pode ficar refém disso”, ressaltou. “Nós estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas, nós estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família. Não foi por acaso que essa pauta ganhou força, não foi por acaso que ela tomou as redes sociais, tomou as ruas e tomou o boca a boca ali na conversa das pessoas no dia a dia. É porque é uma pauta que significa um grito de liberdade para o trabalhador brasileiro”, destacou o ministro. No dia 13 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma mensagem preside...

Jovens enfrentam recorde de depressão e solidão

F: Freepik
A saúde mental dos jovens adultos atingiu níveis alarmantes. Pela primeira vez, a chamada “curva em U da felicidade”, que historicamente mostrava o auge da infelicidade na meia-idade, mudou: hoje, são os jovens entre 18 e 29 anos que apresentam os maiores níveis de tristeza em todo o mundo.

De acordo com o Relatório Mundial da Felicidade 2025, 19% dos jovens adultos afirmam não ter ninguém em quem confiar - um aumento de 39% em relação ao levantamento feito em 2006. Entre os motivos para essa sensação de desesperança estão a falta de suporte social e emocional associada à baixa qualidade das conexões interpessoais.


De acordo com a psicóloga Aline Paixão, professora do curso de Psicologia do UniCuritiba, a confiança dos jovens vem diminuindo globalmente, mesmo em países onde a juventude, em geral, sempre recebeu suporte emocional adequado. “O uso intenso de redes sociais não reduziu a sensação de solidão. Pelo contrário, acrescentou pressão à vida dos jovens, que tentam, a todo custo, ter a suposta ‘vida perfeita’ retratada nas redes sociais.”


Jovem depressivos


Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostram que o Brasil segue a tendência apontada no Relatório Mundial da Felicidade: a incidência de depressão vem aumentando de forma alarmante. Entre os jovens brasileiros de 18 a 21 anos, a taxa aumentou de 2,47% para 6,23% nos últimos anos, um crescimento de 152%.


“Os jovens vivem sob uma pressão constante e enfrentam ansiedade e depressão muito mais cedo. Muitos deles não acreditam mais que a juventude seja a melhor fase da vida”, comenta Aline, especialista em Clínica Analítico-Comportamental.


Entre os fatores destacados pelo relatório e que merecem atenção no Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, estão:


●        Declínio das conexões sociais: 19% dos jovens não sentem que têm alguém em quem podem confiar, o que impacta negativamente seu bem-estar, equilíbrio emocional e saúde mental.

●        Uso excessivo de tecnologia: horas e horas rolando o feed nas redes sociais e fazendo comparações reforçam os sentimentos de vazio e insatisfação.

●        Pressão educacional e econômica: expectativas elevadas, empregos instáveis e incerteza quanto ao futuro profissional agravam a situação e elevam a ansiedade.

●        Grandes eventos globais: pandemia, crises econômicas, inflação e instabilidade social aumentam a ansiedade existencial.


Déficit emocional


De acordo com Aline Paixão, os adolescentes e jovens de hoje apresentam mais sintomas depressivos e traços de ansiedade social do que os de 20 anos atrás. “A ascensão das redes sociais e o uso de aplicativos de conversa facilitam a comunicação, mas o meio digital não substitui interações presenciais de qualidade, que são cruciais para a saúde mental.”


De 2009 a 2018, o pico de infelicidade estava na meia-idade. Desde então, a tristeza aumentou entre os jovens. “Estamos diante de uma geração que já chega à fase adulta com déficits emocionais e psicológicos. Para reverter esse novo perfil geracional é urgente que os jovens recebam suporte social, educação emocional e acesso a serviços de saúde mental”, diz a especialista, que é mestre em psicologia.


Autocuidado e bons hábitos


Aprender a lidar com emoções difíceis e cultivar conexões significativas são passos essenciais para atravessar esse cenário de solidão. Segundo Aline, práticas simples de autocuidado podem fazer diferença no dia a dia.


Na lista de orientações estão: reduzir o tempo de exposição às redes sociais, fortalecer vínculos presenciais, manter hábitos de sono e alimentação equilibrados e buscar apoio psicológico quando necessário. “Essas pequenas escolhas ajudam a construir regulação emocional e podem prevenir quadros mais graves.”


A professora do curso de Direito do UniCuritiba, Adriana Martins Silva, concorda com Aline e acrescenta: a crise de saúde mental dos jovens não é apenas um problema social ou psicológico, mas também um desafio legal e de direitos humanos.


“Os jovens têm direito constitucional à saúde, incluindo a saúde mental. Políticas públicas, centros de atenção psicossocial e programas de prevenção ao suicídio são instrumentos legais que visam garantir esse direito”, informa a doutora em Direito.

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