O 1% mais rico esgotou sua cota justa de emissões de carbono para 2026 em apenas 10 dias, diz a Oxfam

(F: Divulgação) O 1% mais rico já exauriu seu orçamento anual de carbono - a quantidade de CO₂ que pode ser emitida mantendo-se dentro do limite de 1,5°C de aquecimento - em apenas dez dias do ano, de acordo com uma nova análise da Oxfam internacional. Se considerado apenas o 0,1% mais rico, essa parcela já havia usado seu limite de carbono no dia 3 de janeiro. O dia 10 de janeiro, denominado pela Oxfam como “Dia dos Ricos Poluidores”, destaca como os super-ricos são desproporcionalmente responsáveis por impulsionar a crise climática. Estima-se que as emissões do 1% mais rico geradas em apenas um ano causarão 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século. Décadas de consumo excessivo de emissões pelos super-ricos do mundo também estão causando danos econômicos significativos a países de baixa e média-baixa renda, que podem somar US$ 44 trilhões até 2050. Para permanecer dentro do limite de 1,5°C, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030. Enquanto...

Pecuarista que desmatou Amazônia pagará R$ 514 mil por danos morais coletivos

(F: Vinícius Mendonça)
A Advocacia-Geral da União (AGU) garantiu a aplicação de sanções a um pecuarista que desmatou ilegalmente 983 hectares de Floresta Amazônica no município de Alta Floresta (MT). Atuando em nome da União e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a AGU reverteu decisões de primeira instância e teve seus recursos de apelação aceitos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Desta forma, assegurou o pagamento de indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 514,7 mil, e a restrição de acesso a linhas de financiamento e benefícios fiscais. 

O desmatamento ocorreu entre 2002 e 2006. Com a fiscalização e autuação do Ibama, a AGU ajuizou ação civil pública contra o fazendeiro. Após condenação parcial em primeira instância, em 2019, foram interpostos os recursos de apelação que foram aceitos no final do ano.
 

Como a responsabilidade do infrator estava comprovada desde o julgamento na primeira instância, a decisão da 12ª Turma do TRF1 concentrou-se na legalidade da indenização por danos morais coletivos e da perda de linhas de crédito.
 

A AGU argumentou que a falta de condenação por danos morais coletivos resultaria em “sensação coletiva de impunidade e de insuficiente reparação, conduzindo ao descrédito para com o Estado e incentivando a reiteração de ilícitos”. Do mesmo modo, a defesa da União e do Ibama afirmou que a liberação de linhas de financiamento ao réu representaria, “além de malversação de recursos públicos, um estímulo à degradação ambiental”.
 

Patrimônio nacional
 

Sobre os danos morais, o TRF1 sustentou que “a degradação de 983 hectares de Floresta Amazônica, bioma qualificado como patrimônio nacional e área de especial preservação, configura violação a valores difusos e essenciais da coletividade”.


Além disso, o tribunal registrou que “em matéria de responsabilidade civil ambiental, é uníssona a jurisprudência quanto à possibilidade de cumulação das obrigações de fazer e de pagar, isto é, de promover a reparação dos danos ambientais e de pagar indenização por danos materiais”.
 

A decisão também expôs que a constatação do dano moral coletivo é objetiva e “prescinde de prova do abalo sofrido pela coletividade”, pois “decorre da própria violação do direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”, conforme artigo 255 da Constituição Federal e jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
 

O valor da multa de R$ 514,7 mil representa 5% da multiplicação do número total de hectares derrubados pelo valor de R$ 10,4 mil, com base em parâmetro definido pelo Ibama em casos análogos e comumente adotado pelo tribunal.
 

Perda de financiamento
 

O outro pedido da AGU aceito foi a suspensão de linhas de crédito. Para o TRF1, “seria um contrassenso que o Poder Público, que tem o dever constitucional de proteger o meio ambiente, continuasse a fomentar, por meio de recursos públicos, agentes que comprovadamente praticaram atos de degradação ambiental”. Conforme a decisão, a suspensão dos benefícios não é apenas uma sanção punitiva, mas “um instrumento essencial de política ambiental, destinado a coibir a continuidade de práticas lesivas”.
 

Com a decisão, o réu teve suspendido o direito de participar de linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito, bem como de obter incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo poder público. O direito só será recuperado caso seja comprovada a efetiva reparação integral do dano ambiental.

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