Promessas de bem-estar animal em publicidade entram no radar do debate sobre direito do consumidor

(Foto: Divulgação) Organizações da sociedade civil alertam para o uso crescente de alegações de bem-estar animal em campanhas publicitárias sem transparência verificável sobre as práticas adotadas pelas empresas. Nos últimos anos, o bem-estar animal passou a ocupar espaço relevante na comunicação institucional de empresas do setor alimentício. Entre as estratégias de marketing mais comuns estão o uso de imagens de animais em ambientes aparentemente felizes nas embalagens, expressões como “galinhas felizes”, “compromisso com o bem-estar animal”, além da divulgação, em sites institucionais, de compromissos corporativos de transição para sistemas de produção considerados menos impactantes para os animais. Essas mensagens dialogam com a crescente preocupação dos consumidores com questões éticas na produção de alimentos. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), toda informação publicitária deve ser clara, verdadeira e passível de comprovação. Quando mensagens institucionais apr...

Mitos sobre cannabis medicinal persistem no Brasil mesmo com avanço de pacientes e prescrições

(Foto: Divulgação)
O número de brasileiros que utilizam cannabis medicinal cresce ano após ano, mas o tema ainda é cercado por desinformação. Atualmente, quase 900 mil pacientes fazem tratamento com produtos à base de cannabis no país, segundo dados do Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil. Apesar do avanço e da ampliação do acesso por meio de prescrição médica e importação regulamentada, muitas pessoas ainda desconhecem como funciona a terapia ou associam automaticamente o tratamento ao uso recreativo da planta. 

A falta de informação faz com que mitos antigos continuem circulando e influenciando a percepção da população sobre o tema. Ideias como a de que o tratamento causa dependência, não possui base científica ou ainda é ilegal no país contribuem para manter o preconceito e acabam afastando pacientes que poderiam buscar orientação médica e ter sucesso no tratamento. Especialistas apontam que o principal desafio hoje não é apenas ampliar o acesso, mas também qualificar o debate e esclarecer dúvidas da população.

 

No dia a dia da Cannabis Company, primeira farmácia exclusiva e a pronta-entrega de cannabis medicinal do Brasil, esse cenário aparece diariamente no contato com o público. Grande parte das dúvidas recebidas pela equipe está ligada justamente a equívocos que envolvem o tema. “Recebemos muitas perguntas de pessoas que acreditam que usar canabidiol é o mesmo que usar droga ou que o tratamento é ilegal. Esses mitos ainda afastam pacientes de buscar informação qualificada e orientação médica”, destaca Michele Farran, sócia fundadora da Cannabis Company.

 

Ela explica que o uso medicinal da cannabis envolve prescrição médica, definição de dose e acompanhamento profissional, dentro das regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta a importação e o acesso a produtos à base da planta no Brasil. “Quando falamos em cannabis medicinal, estamos falando de um tratamento estruturado, com indicação clínica e acompanhamento. O problema é que o preconceito ainda impede muitas pessoas de entenderem como ele realmente funciona”, acrescenta Michele.

 

A seguir, alguns dos mitos mais comuns que envolvem a cannabis medicinal no Brasil, de acordo com Michelle Farran:

 

“É a mesma coisa que usar droga”: Essa é a confusão mais comum. O uso medicinal envolve prescrição, dose controlada, acompanhamento médico e objetivo terapêutico definido. O uso recreativo segue outra lógica, outro contexto e outra intenção. Misturar os dois conceitos apenas perpetua desinformação.

 

“Vai causar dependência”: O risco não é automático nem igual para todos. Ele depende da composição do produto, da dose e do perfil do paciente. Formulações ricas em CBD, por exemplo, não têm efeito psicoativo relevante. Tratamentos sérios envolvem avaliação médica e monitoramento.

 

“É ilegal”: A cannabis medicinal possui regulamentação no Brasil. A Anvisa permite prescrição, importação e, até mesmo, plantio mediante autorização. Não se trata de improviso ou clandestinidade, mas de um processo regulado com critérios definidos.

 

“Não tem base científica”: A pesquisa ainda está em expansão, mas já existem evidências consistentes para condições específicas, como epilepsias refratárias, dor crônica e alguns quadros neurológicos. Não é ausência de ciência, e sim um campo científico em desenvolvimento.

 

“Só serve para dor”: O sistema endocanabinoide participa de diversos processos fisiológicos. Por isso, há investigação em múltiplas áreas médicas. Isso não significa que seja uma solução universal, mas também não se limita a uma única indicação.


“É opção só quando tudo falha”: Em muitos casos, a cannabis medicinal pode ser considerada dentro de uma estratégia terapêutica mais ampla, e não apenas como último recurso. A decisão depende do quadro clínico e da avaliação profissional.

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