Acordo Mercosul–União Europeia entra em vigor e acelera a liberalização comercial

Tratado histórico em vigor (F: Freepik) O cenário do comércio exterior na América do Sul passa por uma transformação histórica com a entrada em vigor do Acordo Interino de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passou a valer no dia 1º de maio. Após 25 anos de negociações, o tratado chega ao mercado como um pilar independente, focado na liberalização comercial imediata de bens e serviços. Na prática, a medida extingue tarifas sobre 95% das importações da UE e 91% das exportações do Mercosul, alcançando desde commodities agrícolas até produtos industriais de alto valor agregado. Embora o acordo represente uma abertura sem precedentes, o setor produtivo deve estar atento às exigências operacionais para não perder as vantagens tributárias. Segundo a Câmara de Comércio Brasil Paraguai (CCBP), o benefício de isenção não é automático. Para a entidade, o sucesso da operação depende da apresentação obrigatória do Certificado de Origem digital, documento que atesta a procedência...

Genial/Quaest: 55% acreditam que houve tentativa de golpe no Brasil e 54% dizem que Bolsonaro participou

A 17ª rodada da pesquisa Genial/Quaest de avaliação do governo Lula mostra estabilidade em relação à pesquisa anterior, de agosto. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desaprovada por 51% e aprovada por 46%, os mesmos índices do mês passado.

Veja a pesquisa completa aqui.

A percepção da queda na inflação dos alimentos, decisiva para o resultado positivo da sondagem anterior, não se repetiu. O tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, é reprovado pela maioria, mas não teve influência nos resultados da pesquisa.


A avaliação geral do governo também mostrou estabilidade. É negativa para 38% (39% em agosto) e positiva para 31% (mesmo resultado do mês anterior). A estabilidade repete-se em todas as regiões e recortes sociodemográficos – gênero, idade, renda, escolaridade, religião.


Para o fundador e CEO da Quaest, Felipe Nunes, o tema do tarifaço não se esgotou. O que se observa é estabilidade na aprovação, em um cenário no qual a percepção sobre a inflação dos alimentos parou de melhorar.


“Embora a maioria continue avaliando negativamente o tarifaço – o que ajuda o presidente Lula no debate – esse efeito foi neutralizado por outros temas domésticos e não gerou ganho extra nas pesquisas. O efeito do tarifaço no Brasil tem semelhança com o que aconteceu no México, onde a alta das tarifas impulsionou a popularidade da presidente Claudia Sheinbaum, que subiu 4 pontos percentuais e voltou ao mesmo patamar dois meses depois.”


A pesquisa mostra que, para 50% o atual governo está pior que o esperado (45% em agosto), enquanto 27% dizem que está igual (contra 36%) e 21% melhor

(16%). Para 58% o Brasil está indo na direção errada, com ligeira oscilação em relação a agosto.


Economia: Na percepção sobre economia, o destaque é o aumento de 34% para 41% dos que consideram que está mais fácil conseguir emprego hoje do que há um ano, enquanto recuou de 55% para 49% os que tem opinião contrária. A visão sobre o preço dos alimentos e o poder de compra da família permaneceu estável. Para os

próximos 12 meses, a expectativa de melhora no poder de compra ultrapassou por três pontos percentuais a de piora: 40% x 37%.


Tarifaço e Donald Trump: A pesquisa mostra estabilidade na avaliação de que Trump está errado ao impor taxas alegando que existe perseguição a Bolsonaro no Brasil. Essa é a opinião de 73%, com oscilação positiva de 2 pontos percentuais sobre agosto. A variação foi mais acentuada entre os que não têm posicionamento político (de 80% em agosto para 85% agora) e na direita não-bolsonarista (de 48% para 53%).


Para 74% a maior taxação de produtos brasileiros vai prejudicar sua vida, e para 49% Lula e o PT estão fazendo o que é mais certo nesse embate, contra 27% que dão razão a Bolsonaro e seus aliados.


Programas sociais: Os principais programas sociais do governo continuam conhecidos e aprovados pela maioria. Minha Casa Minha Vida (89%) encabeça a lista, seguido por Farmácia Popular (88%) e Bolsa Família (80%). O levantamento mostra que desde março aumentou de 51% para 65% o percentual dos que consideram esses programas direitos que não podem ser retirados.


Tentativa de golpe de estado e julgamento


Esta é a primeira pesquisa na qual todas as entrevistas foram feitas depois do julgamento dos acusados de tentativa de golpe de estado pelo Supremo Tribunal Federal. Os pesquisadores foram a campo na sexta-feira, 12 de agosto, e encerraram o trabalho no domingo, dia 14. Foram 2004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais, em todas as regiões. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.



Para 55% dos entrevistados, houve tentativa de golpe, e 54% acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve participação no plano. Esse índice vem subindo gradativamente desde dezembro de 2024. Na comparação com agosto, cresceu de 36% para 42% a opinião de que o indiciamento de Bolsonaro foi imparcial, e recuou de 52% para 47% a percepção de que houve perseguição.


Alexandre de Moraes: Em linha com esses resultados, a maioria (52%) é contra o impeachment do ministro Alexandre de Moraes – em agosto, 43% tinham essa opinião. Os favoráveis ao impeachment são 36% na pesquisa atual, contra 46% em agosto. Entre os que dizem não ter posicionamento aconteceu a maior mudança: os que são contra o impeachment passaram de 44% para 56% e os que se posicionam a favor recuaram de 40% para 27%.


Para 41%, o ministro está agindo corretamente, para 36% ele está exagerando e deveria ser alvo de impeachment, enquanto 11% são contra essa ideia, ainda que considerem haver exagero nas posições defendidas por Moraes.


Dosimetria: Para 49%, a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão é uma pena exagerada, contra 35% que a julgam adequada e 12% que a consideram insuficiente. As demais medidas são consideradas adequadas: uso de tornozeleira eletrônica por 48%, inelegibilidade por 47% e prisão domiciliar por descumprimento de decisões do STF por 51% dos entrevistados.

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