Preços de ovos, arroz e feijão recuam em julho e trazem alívio ao bolso do brasileiro

F: Freepik Em julho, o consumidor brasileiro conseguiu dar um respiro no orçamento e levar para casa um carrinho de compras mais completo. De acordo com o novo   estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, realizado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que desenvolve soluções para a gestão da cadeia de consu mo, as categorias de itens básicos, com o ovos, arroz e feijão, tiveram recuo nos preços médios no último mês. Entre os destaques, os legumes apresentaram a maior redução no período, com queda de 11,2% – passando de R$ 6,06 em junho para R$ 5,38 em julho. Os ovos, que vinham registrando aumentos expressivos nos últimos meses, baixaram 8,2% no mesmo intervalo. A tradicional dupla do prato brasileiro também ficou mais barata: o arroz teve reajuste de 4,9%, com o preço médio caindo de R$ 5,40 para R$ 5,14, enquanto o feijão retraiu 3%, indo de R$ 6,61 para R$ 6,41. “Embora o recuo dos itens básicos tenha oferecido um alív...

Paranoia de produtividade: trabalhar muito ou trabalhar bem?

Por Virgilio Marques dos Santos

(Foto: Isaque Martins)
Você abre o e-mail às 6h da manhã. Antes mesmo do café, já respondeu mensagens no WhatsApp, alinhou entregas no Teams e conferiu se a reunião das 8h está de pé. No meio do almoço, aproveita para revisar um relatório. Às 22h, ainda dá aquela espiada no e-mail porque, vai que…

Se identificou? Pois bem. Bem-vindo à paranoia de produtividade, um fenômeno que tomou conta do mundo corporativo e agora domina as empresas brasileiras. Funcionários trabalhando mais, mas entregando menos. Gestores aflitos, porque acham que ninguém está produzindo. Um ciclo vicioso alimentado pelo medo de não parecer ocupado o suficiente.

Este termo foi criado pela Microsoft após uma pesquisa global que avaliou o comportamento de mais de 20.000 colaboradores e revelou um abismo entre a percepção dos gestores e a realidade dos funcionários. De acordo com o estudo, 85% dos gestores não acreditam que seus colaboradores sejam tão produtivos quanto deveriam no modelo remoto ou híbrido — ainda que 87% dos funcionários afirmem desempenhar suas funções muito bem nesse formato.

A pandemia e o home office aceleraram essa crise de confiança. Sem ver a equipe na cadeira, muita gente assumiu que o trabalho não estava acontecendo. O resultado? Uma avalanche de reuniões desnecessárias, cobranças excessivas e uma cultura em que estar sempre online vale mais do que entregar resultado.

No Brasil, a coisa ganhou contornos ainda mais dramáticos. Primeiro porque a cultura do "bater ponto" nunca saiu de moda. A crença de que um bom profissional é aquele que chega cedo e sai tarde continua firme e forte. Segundo porque a insegurança econômica fez com que muita gente aceitasse jornadas cada vez mais longas por medo de perder o emprego.

Um exemplo clássico? O setor financeiro e o de tecnologia. Relatos de profissionais trabalhando até 14 horas por dia se tornaram comuns, muitas vezes sem um ganho real de produtividade. O que vale não é o que se entrega, mas o quanto se está disponível.

Apesar do cenário tenso, algumas empresas já perceberam que trabalhar muito não significa necessariamente trabalhar bem. O Nubank, por exemplo, adotou políticas mais flexíveis, limitando reuniões e incentivando pausas para aumentar a produtividade real. O Google Brasil implementou dias sem reuniões e deu mais autonomia para que os funcionários organizem suas rotinas. Já a Resultados Digitais (RD Station) investiu em programas de conscientização sobre saúde mental e produtividade saudável.

Essas empresas perceberam que, para ter resultado, é preciso confiar na equipe e dar condições reais para que o trabalho aconteça.

Prós, contras e o que vem pela frente

A paranoia de produtividade, como todo fenômeno corporativo, tem dois lados. Entre os aspectos positivos, há um alto senso de urgência, o que pode ajudar empresas a se moverem rapidamente e se destacarem no mercado. Além disso, ambientes exigentes tendem a formar profissionais mais resilientes e adaptáveis. Outro ponto é o impulso à tecnologia e à inovação, já que equipes sob pressão frequentemente buscam soluções ágeis para os desafios do dia a dia. 

No entanto, os contras costumam pesar bem mais. O esgotamento físico e mental se tornou um problema grave, com o burnout atingindo proporções epidêmicas. A qualidade das entregas também sofre, pois fazer mais nem sempre significa fazer bem. Além disso, a retenção de talentos se torna um desafio, já que ambientes tóxicos afastam os melhores profissionais.

De qualquer forma, o modelo tradicional de trabalho está ruindo e a paranoia de produtividade é um sintoma claro disso. As empresas que insistirem nessa mentalidade vão perder talentos para aquelas que entenderam que resultado não se mede por horas trabalhadas, mas por impacto gerado.

A pergunta que fica é: até quando vamos confundir excesso de trabalho com eficiência? Se produtividade fosse estar sempre ocupado, WhatsApp seria mais valioso que a Bolsa de Valores.

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Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, gestor de carreiras, PhD, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. Autor do livro "Partiu Carreira", TEDx Speaker, foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

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