Quebrando Tabu: Estudo revela desempenho de atletas trans em vôlei

Visibilidade trans (F: Freepik) Com o objetivo de responder se as mulheres transgênero (que se identificam com o gênero oposto ao atribuído ao nascer) submetidas ao esforço físico teriam as mesmas capacidades desportivas que as mulheres cisgênero (que se identificam com o gênero atribuído ao nascer), um grupo de pesquisadores do Centro Universitário São Camilo realizou uma pesquisa inédita no mundo com atletas amadoras de vôlei e revelou importantes aspectos físicos, nutricionais, psicológicos e de performance. Realizado por Leonardo Alvares, professor da Faculdade de Medicina do Centro Universitário São Camilo, e integrado por professores de Nutrição, Psicologia, Fisioterapia e Biomedicina da mesma instituição, o estudo busca compreender se as mulheres trans, nascidas biologicamente homens, apresentam alguma vantagem esportiva em comparação com as mulheres cisgênero. O enfoque específico recai sobre atletas de vôlei, tornando-se o primeiro estudo global a abordar diversas facetas da p

Com a chegada da seca, entidades reforçam importância de proteger o Cerrado contra incêndios

Brigadas voluntárias são fundamentais  (F: Giovanna Leopoldi)

Com a temporada de seca se intensificando no Cerrado, a preocupação com o alastramento do fogo no segundo maior bioma do País é novamente reacendida, pois os focos de incêndio podem colocar em risco a biodiversidade local, trazendo insegurança a comunidades e causando prejuízos materiais. Para conscientizar a sociedade civil sobre a importância das brigadas voluntárias, responsáveis por atuar diretamente na prevenção e combate dos incêndios na região, entidades ambientais lançaram no mês passado a segunda edição da campanha
 Defensores do Cerrado. A campanha é uma realização da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, com o apoio do Instituto Humanize, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Nature Invest, Instituto Cerrados e Fundo Casa Socioambiental. O site da iniciativa é o https://defensoresdocerrado.com.br/.

Dados do Monitor do Fogo – uma parceria entre o MapBiomas e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) – mostram que a ocorrência de incêndios no Brasil atingiu uma área equivalente ao estado do Acre em 2022: foram 16,3 milhões de hectares, sendo 45% (7,4 milhões de hectares) no Cerrado. Além disso, somente no ano passado, o bioma registrou avanço de 20% no desmatamento, o que contribui para deixar o clima mais seco e fragmenta a paisagem natural, criando condições para novos focos de incêndio.

“Além de chamar atenção da sociedade para a importância da atuação dos brigadistas, a campanha também quer convidar empresas e organizações para contribuírem com o trabalho dos voluntários, que precisam de apoio”, afirma a gerente sênior de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, Leide Takahashi, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).

Takahashi destaca que o Cerrado é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta – apenas entre os vertebrados, há mais de 800 espécies de aves e 1.200 peixes e mais de 7 mil espécies de plantas vasculares, das quais 45% são endêmicas. Além disso, o bioma é fundamental para a manutenção do equilíbrio hidrológico do país. “Apesar do clima semiárido e ambiente com períodos de deficiência hídrica, as águas das chuvas penetram no solo e abastecem aqüíferos e nascentes. Em função disso, a savana brasileira é considerada a caixa d’água do continente por concentrar as principais nascentes e parte dos afluentes mais importantes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazonas, São Francisco e Paraguai)”, salienta a especialista.

Defensores do Cerrado

Nesta nova edição, a campanha fez uma parceria com a jornalista e influenciadora Bárbara Lins, que divulga as paisagens do Cerrado para seus 168 mil seguidores no Instagram. Também foram produzidos vídeos com líderes comunitários do bioma para realçar o que o Cerrado tem a oferecer e mostrar a riqueza sociocultural presente em seu território.

Os cinco “personagens do Cerrado” são: Vilmar Kalunga, quilombola e atual prefeito de Cavalcante (GO); Nahiane Kalunga, contadora, quilombola e gestora de projetos; Maria Aparecida Norberto da Silva, professora, agricultora e responsável pela associação de moradores do assentamento Rio Bonito; Richard Avolio, dono da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Vale das Araras, empreendedor na área de turismo de natureza e brigadista voluntário; e Teia Avelino, líder comunitária em Alto Paraíso (GO).

“Muitos incêndios são criminosos, mas outros acontecem de forma natural. É muito importante que consigamos manter esse trabalho e até buscar mais apoio junto a outras instituições, para que possamos manter o nosso Cerrado vivo, em pé”, afirma Vilmar Kalunga, lembrando do grande incêndio de 2017, que queimou quase 148 mil quilômetros quadrados de área. Naquele ano, o Cerrado foi o bioma mais afetado pelo fogo, segundo dados do Programa de Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Embora o fogo faça parte da ecologia de boa parte das espécies do Cerrado e seja estratégico para o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que contribui positivamente para a proteção da biodiversidade, os incêndios podem gerar enormes prejuízos ao meio ambiente, aos bens patrimoniais, à saúde da população e, consequentemente, à sociedade. A atuação organizada de grupos de voluntários tem sido fundamental na prevenção e no combate aos incêndios florestais que têm devastado grandes áreas dos principais biomas brasileiros”, afirma André Zecchin, biólogo e gerente da Reserva Natural Serra do Tombador, localizada em Cavalcante (GO) e mantida pela Fundação Grupo Boticário desde 2007.

Importância das brigadas voluntárias

As brigadas voluntárias são compostas por guias de turismo, professores, comerciantes locais, estudantes, entre outros. São pessoas extremamente comprometidas com a proteção da região que se disponibilizam a combater incêndios com pouco recurso.

São as brigadas voluntárias que, juntamente com brigadistas do ICMBio e do PrevFogo/Ibama, conseguem chegar mais rápido aos focos de incêndios em áreas naturais, especialmente em locais distantes dos grandes centros urbanos, executando rapidamente o primeiro combate e evitando que as chamas se alastrem. O trabalho exige grande esforço físico, como enfrentar sensações térmicas que ultrapassam 250°C e caminhar dezenas de quilômetros por dia em áreas de difícil acesso. Para isso, carecem de recursos para garantir uma estrutura mínima, promover a formação de brigadistas, além de adquirir e manter equipamentos para o combate ao fogo.

“Ser voluntário é uma paixão. É isso que nos move ao nos arriscarmos para evitar que os incêndios ocorram e para proteger o meio ambiente. Somos apaixonados pelo que fazemos e nos dedicamos muito. Atuamos sempre de forma organizada, priorizando a segurança”, declara o brigadista florestal Rafael Gava, diretor executivo da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV). As brigadas voluntárias estão em lugares onde os outros serviços de emergência não conseguem chegar com tanta agilidade, muitas vezes preenchendo lacunas que o Estado não consegue atender. O combate rápido é essencial para controlar e evitar a propagação do fogo. Os focos, principalmente na época da seca, evoluem muito rápido, se transformando em grandes incêndios, o que também aumenta o gasto de recursos públicos”.

A RNBV é um exemplo de efetividade na mobilização em favor da proteção à natureza. Criado em 2019 por líderes de brigadas para prevenção e combate a incêndios florestais, o grupo luta para vencer os desafios de manutenção do quadro de brigadistas e de equipamentos, além da falta de apoio. Atualmente, a rede é composta entre 1400 a 3000 pessoas com capacitação mínima para prevenção e combate a incêndios florestais, divididos em 11 brigadas que atuam em oito estados, em diferentes biomas como Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, protegendo mais de 68 unidades de conservação no Brasil. Dezesseis novas brigadas aguardam formalização.

De acordo com Gava, os custos de estruturação, treinamento e operacionalização para que todos possam executar o trabalho de forma segura e eficaz são altos. Muitas brigadas utilizam veículos particulares e, geralmente, quem banca gasolina, pedágio e alimentação são os próprios voluntários. Muitos ainda têm de comprar o próprio equipamento de proteção. Consequência disso, segundo ele, é que muitas brigadas pararam de atuar e iniciativas potenciais simplesmente deixaram de existir ou não se concretizaram. “Sempre existirão voluntários empenhados, buscando aperfeiçoamento para atuar com mais eficácia, técnica, segurança e apoio aos diversos setores da sociedade. Sabemos que somos um apoio necessário nos planos operacionais locais de cada estado”, conclui Gava.

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